Folder orienta sobre visitação respeitosa às Teko’a Guarani no Rio Grande do Sul

Com o objetivo de promover a convivência respeitosa e harmoniosa entre visitantes e habitantes das Teko’a Guarani no Estado, o Projeto Ar, Água e Terra criou um folder que busca preparar o público não indígena para a experiência de visitar um território indígena. Realizado pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM) em dez municípios gaúchos, o Projeto conta com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. 

Segundo o biólogo Rafael Martins Paniz (que desenvolve um trabalho junto aos Guarani, com foco na implementação e manejo de sistemas agroflorestais), a iniciativa de criação do folder para orientar visitantes nas aldeias surgiu da necessidade de mitigar o choque cultural – visto que o modo de vida urbano apresenta um grande contraste com os costumes e tradições Guarani. “Esse material é um instrumento importante, que prepara o visitante (de forma básica) para as vivências na aldeia”, avalia.

Paniz destaca que o folder com orientações para quem chega às Teko’a Guarani não é um “conjunto de regras”, mas serve como um guia para que os visitantes possam se comportar com bom-senso, respeito e compreensão. Entre as orientações, destacam-se a importância de não romantizar a cultura indígena –buscando conhecer a história da comunidade a ser visitada sem conceitos pré-formados  – e de evitar ser invasivo. Um dos pontos centrais da conduta é pedir permissão para realizar qualquer registro fotográfico ou em vídeo (o mesmo vale para a divulgação dos membros da comunidade e de seu território).

Além disso, é recomendado atenção durante os diálogos com os indígenas, aguardando o tempo de fala, e se expressando para contextualizar a visita, especialmente para grupos de escolas, de forma clara e sem pressa. Também é fundamental que os visitantes cheguem “de mente e coração” abertos, zelando pelo ambiente – e que em hipótese alguma levem substâncias ilícitas ao local ou descartem lixo na aldeia. Outro ponto a ser considerado é o agendamento da visita, com antecedência.

“Todas essas normas são importantes para as escolas e universidades, mas também para outras pessoas que cheguem no território”, ressalta Paniz. Segundo ele, o folder garante que a experiência seja enriquecedora para ambas as partes, permitindo que a riqueza da cultura Guarani seja observada e respeitada. “O objetivo principal é educar e conscientizar, garantindo que o território indígena seja visto como um espaço de resistência e manutenção cultural”, conclui.

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