Inventário de GEE e reflorestamento fortalecem ações do Projeto à crise climática

Desde sua primeira fase, o Projeto Ar, Água e Terra adota o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) como ferramenta de gestão ambiental, traduzindo em números sua atuação frente à crise climática e ao aquecimento global.

Entre 2011-2013 e 2017-2019, as medições revelaram as principais fontes de emissão de gases de efeito estuda — consumo de eletricidade, uso de papel, aplicação de adubos, viagens aéreas e deslocamentos por automóvel — e, paralelamente, comprovaram que as práticas de reflorestamento, conservação e reconversão produtiva foram capazes de neutralizar totalmente essas emissões, gerando, ainda, expressivo saldo positivo.

Ao iniciar a 4ª fase, em janeiro de 2024, o Projeto renovou seu compromisso de quantificar cada tonelada de carbono gerada e removida com a atuação das equipes indígenas e não indígenas que atuam nas dez aldeias Mbyá Guarani em que o Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM) trabalha no Rio Grande do Sul.

O Inventário não é um mero relatório técnico, mas um termômetro que orienta decisões e reforça a ambição de transformar o território em um exemplo concreto de mitigação dos efeitos adversos do aquecimento global.

Em 2024, primeiro ano da 4ª fase do Projeto, que seguirá até o final de 2026, foram emitidas 10,95 tCO2-e e reduzidas 3,83 tCO2-e (sendo aqui consideradas apenas as áreas recuperadas ou reconvertidas no ano de 2024). Assim, reporta-se uma emissão líquida de 7,12 tCO2-e em 2024.

A metodologia para a quantificação e redução das emissões adota os padrões do Programa Brasileiro GHG Protocol, as normas ISO 14064-1 e 14064-2 e referência ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM), dentro do limite de controle operacional — isto é, o IECAM assume 100 % das emissões sobre as quais tem gestão direta.

Para o Inventário de Emissões dos Gases de Efeito Estufa 2024 do Projeto Ar, Água e Terra foram medidas as emissões de gases de efeito estufa a partir de ações como uso de energia elétrica, uso de papel, emissão veicular, utilização de adubo, emissão por ar-condicionado e refrigeradores e emissões associadas a viagens aéreas. As fontes mais expressivas de geração de gases de efeito estufa foram a combustão de combustíveis fósseis nos deslocamentos terrestres (80 %), seguida por viagens aéreas e a aplicação de adubos orgânicos.

Importância do reflorestamento e da conservação ambiental

Desde a 1ª fase, o Projeto valoriza o plantio de espécies nativas como estratégia dupla: recuperar biodiversidade e sequestrar carbono. As roças agroflorestais garantem segurança alimentar às aldeias e diminuem pressões de desmatamento, enquanto os núcleos de conservação evitam emissões futuras que ocorreriam com a degradação, além de captarem CO2 em grande quantidade — hipótese de linha de base considerada nas contas.

Esse compromisso não nasce do acaso. O relatório sublinha que a medição anual de GEE é “uma valiosa ferramenta de gestão ambiental que procura contribuir com a diminuição dos efeitos adversos causados pelo aquecimento global”. A crescente frequência de eventos climáticos extremos reforça a urgência de políticas para a mitigação à geração de gases de efeito estufa.

Evolução histórica e futura

Comparado aos inventários anteriores (2011-2013 e 2017-2019), quando as emissões médias foram de 13 t CO₂e/ano, 2024 confirma tendência de redução contínua nas fontes diretas.

Todos os cálculos relativos à captura de CO2-e foram realizados considerando o horizonte de projeto de 20 anos, de forma que os valores adotados passam pela escolha de coeficientes e taxas de crescimento típicas, que podem variar substancialmente segundo a área de projeto e as características adotadas no âmbito da quantificação destas capturas.

Quanto ao sequestro proveniente dos plantios, o primeiro ano registrou 3,83 t COe capturadas devido ao crescimento das plantas. Mantendo-se o crescimento natural da vegetação nos 20,82 hectares de áreas restauradas e reconvertidas, esse montante pode alcançar 945 t COe ao longo dos próximos vinte anos de execução e manutenção do Projeto.

Da mesma forma, nas zonas conservadas — 3.145 hectares em Terras Indígenas em que o Projeto atua — estima-se que 3.877 t COe tenham sido capturadas apenas em 2024, com potencial de chegar a 42.096 t COe ao longo do horizonte de 20 anos de Projeto, caso seja mantida a integridade dos estratos florestais das áreas indígenas.

Assim, ao confrontar as 10,95 t COe emitidas em 2024 com as reduções combinadas de 3,83 t COe (plantios) e 3.877 t COe (conservação), obtém-se um saldo líquido positivo de cerca de 3.870 t COe reduzidas— evidência de que as ações do Projeto Ar, Água e Terra superam a pegada de carbono de suas próprias operações.

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