A realidade dos povos originários em todo o mundo é marcada por colonialismo, dizimação e desrespeito aos seus costumes, tradições e direitos. Não apenas no Brasil, mas em nível global, há algumas décadas, com o avanço da pauta dos Direitos Humanos e da visão de respeito aos descentes daqueles que povos que já habitavam os territórios antes da chegada dos colonizadores, a sociedade passou a olhar a necessidade de uma correção histórica perante os povos indígenas. Reflexo do movimento internacional, em 09 de agosto de 1982 o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Populações Indígenas realizou, em Genebra, reunião para debater os direitos e a proteção aos povos indígenas, buscando preservar sua dignidade, culturas, línguas e costumes.
A partir do encontro histórico, a proteção dos povos indígenas entrou na agenda permanente da Organização das Nações Unidas (ONU), resultando na minuta da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 13 de setembro de 2007, e assim, foi estabelecido o Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 09 de agosto.
No Rio Grande do Sul (RS) o Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM) realiza atividades socioambientais com a etnia Guarani Mbya desde a década de 1990 e, desde 2012, desenvolve o Projeto Ar Água e Terra com uma metodologia de construção participativa entre equipes indígenas e não indígenas, atuação interdisciplinar e intercultural e troca de saberes, práticas e técnicas, com o protagonismo dos Guarani que apresentam suas demandas e propõem soluções.
O Projeto Ar, Água e Terra, que conta com o patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, iniciou sua quarta fase em janeiro de 2024 com/em dez aldeias do litoral norte ao sul do estado, abrangendo uma área de mais de 3.000 hectares nos biomas Mata Atlântica e Pampa, adotando uma metodologia de construção participativa e valorizando a interculturalidade. Mais de 300 Guarani estão envolvidos diretamente no Projeto; mulheres, homens e crianças participam seguindo a organização da comunidade, que realiza as atividades conforme os dons e aptidões de cada indivíduo.
Ao longo da última década, o Projeto Ar, Água e Terra, que também busca a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) geradas nas ações realizadas, obteve resultados de reconversão produtiva e recuperação ambiental nos biomas do RS onde atua. Entre os principais resultados até 2024, destacam-se cinco mapas de cobertura da terra e etnomapas das Terras Indígenas (TI); cinco hectares de áreas reconvertidas; dez hectares de áreas recuperadas/restauradas; três mil hectares de áreas conservadas nas Terras Indígenas; 30 mil mudas plantadas; e mais de 150 atividades de educação etnoambiental.
As ações são cuidadosamente planejadas considerando as necessidades culturais e características ambientais de cada aldeia, focando na segurança alimentar, cobertura vegetal e na gestão sustentável dos territórios indígenas.

Desde janeiro de 2024 com a retomada oficial do Projeto com o patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, o trabalho do IECAM com os Guarani no RS contempla atividades como rodas de conversa, reuniões, encontros, trilhas e oficinas envolvendo temáticas como revitalização de saberes e práticas ecológicas tradicionais, Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), compostagem e reciclagem de resíduos, direitos indígenas e das mulheres, agroecologia, gestão sustentável dos territórios, soluções baseadas na natureza (SbN) e etnodesenvolvimento.
O Projeto também está realizando benfeitorias no Yvirendá/ Poarendá (casa das plantas) viveiro/estufa das aldeias de Porto Alegre e Palmares do Sul e em dois Ajaka Ro (casa do artesanato/quiosque) das aldeias de Osório e Torres, no Norte do RS. De forma pioneira, inspirados em SbN e ecoeficiência, estão sendo avaliados e realizados com as comunidades a instalação de um gerador de energia solar e de energia eólica em duas aldeias participantes, para contribuir, de forma pioneira, com a geração de energia com fontes renováveis em duas aldeias da etnia Guarani no estado.
