Refap recebe exposição de arte Guarani durante Semana Interna de Prevenção de Acidentes

Artesãs da Teko’a Nhe’engatu apresentaram peças que expressam a simbologia e a espiritualidade do povo Guarani

 

A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, recebeu na manhã desta quarta-feira (8) uma exposição especial com a participação de artesãs Guarani da Teko’a Nhe’engatu. A mostra integrou a programação da Semana Interna de Prevenção de Acidentes (Sipat) e encantou colaboradores de diferentes áreas da refinaria, que prestigiaram o trabalho artesanal e a riqueza simbólica da cultura indígena.

O espaço apresentou uma variedade de peças confeccionadas por mãos Guarani, entre elas esculturas de animais em madeira, cestas, balaios, colares e chocalhos. Cada item carrega um sentido espiritual e uma conexão profunda com a natureza — uma forma de preservar e transmitir saberes ancestrais através da arte.

As esculturas zoomórficas, conhecidas como vicho r’anga, representam animais da mata e são feitas pelos homens a partir de madeiras sagradas, como guajuvira, pau-leiteiro e cedro. As peças são queimadas à mão para marcar detalhes e simbolizam os seres criados por Nhanderu, o grande criador. Entre elas, estão a onça (chivi), símbolo de liderança e coragem; a coruja (urukure’a), guardiã do céu e mensageira entre mundos; o tatu (xingyre), protetor da terra; e a capivara (capi guara), que representa a serenidade e a preservação dos cursos d’água.

Já a cestaria guarani (ajaká), confeccionada especialmente pelas mulheres, tem origem sagrada: segundo a tradição, Tupã criou a mulher a partir de um balaio. Feitas com taquaras e fibras naturais coletadas na mata, as cestas são trançadas à mão e tingidas com pigmentos extraídos de espécies como o urucum e o jenipapo. Além de utilitárias, elas simbolizam o feminino, o cuidado e a continuidade da vida nas aldeias.

Os ornamentos corporais, como colares, pulseiras e anéis, também fazem parte dessa expressão cultural. Mais do que adornos, são amuletos de proteção espiritual e elementos de identidade entre o povo Guarani, reforçando a ligação entre corpo, alma e natureza.

A atividade integra as ações do Projeto Ar, Água e Terra, desenvolvido pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM), que busca valorizar os saberes tradicionais e fortalecer a autonomia das comunidades indígenas por meio da arte e da gestão sustentável dos territórios, contando com o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Mais uma vez, a Refap se tornou palco de um encontro entre culturas, reafirmando a importância da arte e do respeito à diversidade como caminhos para a preservação da vida e do meio ambiente.

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