O caminho até a COP30 passa pelos territórios — e é deles que o IECAM chega, levando a experiência viva do Projeto Ar, Água e Terra, desenvolvido com as comunidades Guarani do Rio Grande do Sul. É com essa energia — e com a força das aldeias Guarani que caminham conosco há mais de duas décadas — que o IECAM chegou à COP30 e à Cúpula dos Povos. A instituição já participou anteriormente das históricas Rio/Eco 92 e Rio+20

A Eco-92 marcou a entrada definitiva do desenvolvimento sustentável na agenda global ao propor a Agenda 21 e afirmar que economia e proteção ambiental precisam avançar juntas. E, 20 anos depois, a Cúpula dos Povos renovou esses compromissos, promoveu o debate sobre economia verde e lançou as bases que levariam à criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Essas conferências abriram caminho para que iniciativas comunitárias, como o Projeto Ar, Água e Terra, hoje tenham voz no debate climático internacional.


Na COP 30, em Belém do Pará, um novo marco. Diferente da Blue Zone ou Zona Azul, onde integramos a delegação brasileira, ao lado das delegações dos demais países, a Green Zone, aberta ao público, celebra a diversidade e vibra com a troca de saberes e experiências. Belém, cercada pela grandiosidade da floresta, recebeu o mundo com alegria e aponta como principal solução para a crise climática a proteção dos povos e territórios tradicionais e a restauração dos biomas há séculos explorados.
Reforçamos a urgência de:
– proteger as populações mais vulneráveis em tragédias e alterações climáticas;
– garantir o bem viver dos povos e/em seus territórios tradicionais;
– demarcar as terras indígenas e quilombolas;
– restaurar e conservar todos os biomas;
– enfrentar as mudanças climáticas com base na ciência e na justiça socioambiental;
– garantir uma transição energética justa e digna, que respeite os povos, maretórios e territórios.

Depois de anos de trabalho conjunto, escuta e fortalecimento das estratégias indígenas de adaptação climática, o IECAM participa da construção de soluções reais para enfrentar os extremos do clima nos biomas Mata Atlântica e Pampa. Cada viveiro fortalecido, cada mapa etnoambiental produzido, cada área restaurada é parte de uma agenda que nasce na floresta e dialoga com o mundo.
Nos últimos dias, vivenciamos a mobilização histórica da Cúpula dos Povos, na COP 30, que reuniu mais de 70 mil participantes para reafirmar que não há saída para a crise climática sem justiça socioambiental e sem o protagonismo de povos originários e tradicionais. A Declaração Final, construída coletivamente, defende a demarcação e proteção dos territórios, o desmatamento zero, o fim das falsas soluções de mercado e o fortalecimento dos saberes ancestrais como referência para políticas públicas globais sobre a necessidade de adaptação climática.
Crédito foto: UN Climate Change
A Declaração Final Cúpula dos Povos alerta para inúmeras questões que o mundo vivencia atualmente. Carta Final – Cúpula dos Povos
Levamos conosco a mensagem de que as respostas estão nas comunidades, onde tradição, ciência e governança local já produzem resultados concretos para restaurar ecossistemas, proteger as águas, recuperar áreas degradadas e fortalecer a autonomia socioambiental.
Crédito foto de capa: UN Climate Change – Diego Herculano